Lunes, 22 de marzo de 2010 - 4:00 h
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Edelmiro Momam
Químico
Sábado 19/12/2009 a las 13:00
Estudou química nas Universidades da Coruña e Santiago de Compostela, doutorándose en química no 2003 en Compostela. A súa tese titulouse: "Funcionalização remota na síntese de análogos da Vitamina D". Foi investigador na University of California, na Universidade de Vigo, no CNR em Bolonha, así como no Royal College of Surgeons in Ireland en Dublin, no Institut de Génétique et de Biologie Moléculaire et Cellulaire en Estrasburgo e na Universität des Saarlandes em Saarbrücken. Autor de diversas publicacións científicas en revistas internacionais e de numerosas contribucións a congresos, fundamentalmente no campo da química orgánica e do modelado molecular asistido por computador. Agora está a pór en marcha unha empresa científica en Luxemburgo (ProSciens, Computing & Molecular Sciences).
1.- Tino: ¿Como foi a súa relación coa lingua na súa mocidade? Educárono en castelán, en galego...

E.M.: Nascim e crescim em Ferrol, onde a língua dominante era o castelam. Fum educado em castelam. A minha nai falava connosco em castelam e com o meu pai em galego. Eu falei castelam até os 21 anos, quando estudava na Universidade da Corunha. Som neofalante.



2.- Víctor: Como un de Ferrol foi dar tan lonxe? Segue Galicia sen dar saídas reais aos seus "cerebros"?

E.M.: Os galegos andamos por todo o mundo. Sempre fomos um país aberto ao mar. Como cientista e investigador, as estadias no estrangeiro som quase umha obriga para completar a minha formaçom. A verdade é que por motivos profissionais e familiares, eu nom consederei aínda voltar para a Galiza. Mas consta-me que há muita gente querendo voltar que nom atopa as condiçons adequadas.



3.- Roberto: Vostede está fóra, que pensou ao saber de que en Galicia había un movemento como Galicia Bilingüe? Dende a distancia, deu creto ás suas teorías?

E.M.: Na Galiza sempre houve movimentos reaccionários. Nom foi umha surpresa. O que sim me surpreendeu enormemente foi a dimensom mediática que atingiu o fenómeno e o forte apoio do PPdG. Acrteditar? Nadinha. Empregam argumentos demagógicos nos que nem eles próprios acreditam.



4.- Begoña: Lonxe, ámase máis a terra ou ábrense os ollos ás nosas carencias coma pobo?

E.M.: Ama-se mais, mas também se vai ganhando perspectiva. Por exemplo, no Luxemburgo descobrim um modelo linguístico que antes acharia impossível. Mas ali funciona muito bem.



5.- Sabela: O multilingüismo xenera problemas no dominio das linguas?

E.M.: Rotundamente nom. O caso luxemburguês é um exemplo claro. Ora bem, obviamente as interferências linguísticas som inevitáveis. Temos que ir mudando os nossos critérios de "correcçom linguística". A escola de "Doña Marujita" já nom faz sentido. No mundo de hoje o multilinguismo nom é umha opçom é umha exigência. Quanto antes nos adaptemos, melhor. Nós temos umha vantagem de partida como é a de falar galego-português e castelam.



6.- Tareixa: O ensino en diferentes linguas que se dá en Luxemburgo ¿que ten de bo e que ten de malo na súa opinión?

E.M.: Tem tudo de bom. Primeiro, o enriquecimento das pessoas a nível individual, tanto no material quanto no imaterial. As verdadeira fronteiras estam na mente, e o multilinguismo dá-nos acesso a múltiples formas de ver o mundo. Nom faz falta mencionar as vantages laborais. A nível colectivo, o Luxemburgo tem umha enorme capacidade para atrair talento e fazer negócios, mercede ao multilinguismo. Para mais, o principal grupo audiovisual europeu, o RTL group, teve a sua origem e aínda tem a sua sede centra no Luxemburgo. A capacidade para gerar conteudos em diversas línguas, foi sem dúvida chave do sucesso do grupo, o qual, a partir do Luxemburgo foi-se extendendo a outros países: França, Alemanha, Bélgica, Holanda, UK, etc. Hoje está presente em mais de 20 países...



7.- Elvira: Para os que non estivemos na súa charla ¿pode explicar como é o sistema de ensino luxemburgués ao respecto da lingua?

E.M.: É um sistema de imersom linguística progressiva. No pre-escolar obrigatório e os primeiros níveis da primária predomina o Luxemburguês, a seguir o Alemam e finalmente, já na secundária, o Francês. Para obter o título no ensino secundário é indispensável demonstrar umha competência adequada nestas três línguas e mais em Inglês. Os Luxemburgueses som quadrilingues. Os professores, independentemente da língua lectiva, contestam as perguntas na língua na que foram formuladas. Quase sempre em Luxemburguês.



8.- José Tubio: Considera mais viável o seu postulado heisembergião do que continuar num avanço direto das teses da unidade da língua?

E.M.: Considero. Eu acredito na unidade da língua e devemos continuar a fazer pedagogia neste sentido. Mas, na minha experiência, estes postulados som hoje inasumíveis para umha grande parte da sociedade (por diferentes razoes). A vantagem do modelo dual é que poderia ser implementado de forma imediata e seria portanto o caminho mais certo cara essa unidade.



9.- Gerardinho 1234: Não reconhecer o papel do reintegracionismo é um suicídio para o galego?

E.M.: Sem dúvida. O reintegracionismo representa umha parte cada vez mais significativa da cultura galega, qualitativa e quantitativamente. E é umha corrente fondamente galeguista e alicerçada nas origens mesmas do galeguismo. Por nom falar do potencial internacional que posue. Deve ser "oficializada" e "visivilizada" de imediato.



10.- ronpaulo: Acredita vocè que a teima de galego= ou |=portugués já deveríamos vê-la doutro jeito?.É tam dificultoso para nos,entender o depende?

E.M.: Efectivamente. Eu nom o tinha tam claro como o tenho agora até chegar a Luxemburgo. Ali tenhem este sistema dual, ambiguo se queremos, mas que realmente funciona. O luxemburguês é umha fonte de autoestima e de coesom nacional. O alemam é de facto o standard escrito e internacional do luxemburguês. Formalmente som duas línguas distintas, mas na práctica, jogam um papel complementário, reforzando-se mutuamente, de forma constructiva.



11.- Ronpaulo: Acredita vocè que há margem para a concordia normativa, e alen disto um achegamento rag-agal?saudos

E.M.: Até hoje os postulados e estrategias do isolacionismo e do reintegracionismo foram mutuamente excludentes. As duas correntes aspiravam a ter umha hegemonia absoluta. Com o acordo ortográfico da língua portuguesa, nom vejo muito sentido a um novo híbrido ortográfico RAG-AGAL que seguramente nom iria satisfacer ninguém. Entom, o modelo dual, é a única soluçom de concordia. Ninguém teria que ceder e aproveiraria-se ao máximo as potencialidades dos dous modelos.



12.- ronpaulo: Acredita nas possibilidades dum centro-dereita nacional?se é asim pensa apoia-lo dalguúm jeito?

E.M.: Numha economia de mercado o poder "real" é o capital. Ele é quem regula o mercado e cria os valores que imperam na sociedade. Entom, a viavilidade dumha proposta política de corte liberal dependeria na minha opiniom da sua capacidade para involucrar o capital galego num projecto nacional próprio (ou, quando menos, de que esse capital galego fosse quem de crer nas potencialidades deste país como economia auto-centrada e nom dependente). Tarefa difícil. Relativamente à segunda pergunta, depende ;-)



13.- Roi: Sería quen de apuntar tres claves para valorizar no día a día ao galego con feitos?

E.M.: A questom principal é a autoestima. O povo galego tem muito assumido o seu papel dependente e subsidiário. Nom acreditamos em nós próprios. Vemo-nos como periféria e nom como centro. Mudar isto é um processo lento. A nível práctico: 1) Seria importante que empresários e rostos conhecidos do mundo do espectáculo e do deporte assumissem públicamente o seu compromiso com a língua e a cultura deste país. 2) Declarar a língua portuguesa como língua oficial na Galiza e fazer o seu ensino obrigatório em todos os níveis educativos. Isto daria umha dimensom internacional e de "utilidade" à nossa língua. 3) Recepçom das rádios e televisons portuguesas e brasileiras na Galiza. Isto ajudaria a estabelecer outros referentes culturais e mediáticos sem passarmos sempre polo filtro monolítico de Madrid.



14.- xesus: Cal deberia ser o papel da diaspora? Cres que seria interesante crear un espacio na rede para dinamizar a sociedade dende fora?

E.M.: Os galegos residentes no estrangeiro devem contribuir com os conhecementos e experiências que foram acumulando. Apreender dos outros é indispensável para construirmos umha sociedade mais próspera. Se olhamos as grandes culturas e os grandes impérios da história e do presente, observaremos que som sistemas que intengram de forma eficaz e dinámica o conhecemento gerado, tanto de forma endógena como exógena. Entom, a emigraçom galega pode ser uma fonte inesgotável de conhecementos. Cumpre criar as vias para que este conhecemento flua constantemente cara o país.



15.- Estra Bis: As redes sociais (Facebook e Twitter) ou de notícias (Chuza.org) podem colaborar no interesse da juventude pelo idioma?

E.M.: Evidentemente. Criar espazos galegos na rede é fundamental. Como também rachar as fronteiras mentais que nos separam do resto da galegofonia (Portugal, Brasil, etc.) pode contribuir para debilitar as cadeias que nos junguem univocamente a Madrid,



16.- Eva: Optimista ou pesimista ao respecto do futuro do galego?

E.M.: Eu como cientista nom deveria ser optimista nem pesimista. Existem fortes poderes (os "Podres Poderes" dos que cantava Caetano Veloso) e inércias que jogam na nossa contra. Dizia Epicuro que o futuro nom é de tudo nosso nem de tudo nom-nosso. Honestamente penso que se jogamos com inteligência e nom nos deixamos desmoralizar podemos ganhar. Cumpre estarmos unidos e trabalhar muito. Como também buscar as vias mais eficaces.



Mensaje de despedida

E.M.: Bom, chegamos tarde para jantar ;-) Obrigado a todas e todas polas vossas perguntas. Xau.


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